A Geopolítica do terror na Somália

Entenda o recente ataque terrorista que aconteceu na Somália e explique para seus alunos os interesses geopolíticos envolvidos

Por Artur Boligian Neto

Publicado em 20/10/2017

Em quais conteúdos trabalhar?

Coleção Geografia Espaço e Vivência Volume 8: Unidade IV – África, capítulos: 13 – O continente africano: natureza e cultura, 14 – As raízes do subdesenvolvimento africano, 15 – Apropriação do espaço geográfico africano, e 16 – Indústria, urbanização e movimentos populacionais na África

Coleção Geografia Espaço e identidade: Unidade 11 – Desigualdades, conflitos e tensões no mundo contemporâneo, capitulo 38 - Conflito– e tensões no mundo globalizado

Para entender a discussão

A Somália recentemente sofreu um dos atentados mais violentos da sua história. O ataque aconteceu no centro da capital, Mogadíscio quando dois caminhões bomba deixaram aproximadamente 300 pessoas mortas e 500 feridas, e ainda um número inexato de desaparecidos.

A área atingida é conhecida pela grande concentração e fluxo de pessoas. Na região do ataque são encontrados prédios de órgãos governamentais (como o Ministério das Relações Exteriores da Somália), shoppings, embaixadas, bares, hotéis e universidades.

                                                     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: The Guardian    

A Somália é um país localizado na África Oriental, na margem do Oceano Índico.  Sendo um dos países que mais sofre ataques terroristas,integrando a lista dos dez locais com 75% dos ataques no mundo.

 

Fonte: Revista Nexo

Apesar do ataque ainda não ter sido reivindicado, o governo local, especialistas e comunidade internacional apontam como responsáveis pelo atentado a milícia jihadista Harakat al-Shabaab al-Mujahiden (“Movimento da Juventude Guerreira” ou “Movimento do Jovem Guerreiro”).

A milícia é ligada ao grupo fundamentalista islâmico Al-Qaeda, responsável também pelo atentado de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center, em Nova York.

Contextualizando

Os grupos jihadistas são organizados por células que controlam regiões do sul e do centro da Somália, atacando civis e bases militares. Eles tentam derrubar o governo central somaliano que é apoiado pela ONU e pela União Africana.

Photograph: Feisal Omar/Reuters

Em 1991, após a dissolução do regime ditatorial do militar Siad Barre (1969 – 1991), um vácuo de poder se formou no território da Somália, provocando o surgimento de uma guerra civil em grande escala entre facções, clãs, milícias e o governo em Mogadíscio.

A origem do grupo Al-Shabab remonta a 2006, quando foi fundada a juventude miliciana do Islamic Court Union (ICU), uma coalizão radical da corte Shariah . No mesmo ano o ICU tomou o controle de Mogadíscio e seus distritos circundantes após derrotar as milícias locais. Mas em poucos meses, as tropas etíopes apoiadas pelos EUA invadiram e expulsaram a ICU da cidade.

Bandeira do Islamic Court Union

Em 2008, Al-Shabab é designada pelo governo dos Estados Unidos como uma organização terrorista. Após dois anos, em 2010, a milícia executa seu primeiro atentado fora da Somália, na capital da Uganda, Kampala, ao qual 74 pessoas foram mortas enquanto assistiam a copa do mundo na televisão.

No ano de 2011 as tropas quenianas invadiram a Somália em retaliação a uma série de sequestros tranfronteiriços realizados pela milícia Al-Shabab. A milícia declara jihad (refere-se a guerra santa muçulmana, uma luta armada contra os infiéis e inimigos do Islã).

Em 2012, o líder da Al-Qaeda, Yaman al-Zawahiri anunciou que o grupo Al-Shabab entrou formalmente para o movimento jihadista global. O grupo formalizou os laços com a Al-Qaeda, tornando-se a ala militante internacional no Chifre da África e rompendo relações com o Estado islâmico, rival da Al-Qaeda. No ano seguinte, um atirador do grupo atacou um shopping em Nairobi, capital do Quênia. O cerco durou quatro dias e 67 pessoas foram mortas.

Em 2015, os milicianos do Al-Shabab atacaram a Garissa University no Quênia, matando aproximadamente 150 pessoas.

Em 2016 o grupo atacou a base da União Africana (organização internacional que promove a integração entre os países do continente africano) localizada próxima a divisa entre o Quênia e a Somália. O presidente da Somália disse que 200 soldados quenianos foram mortos. No mesmo ano o Pentágono relatou que os Estados Unidos realizou ataques aéreos em um campo de treinamento do Al-Shabab, deixando pelo menos 150 militantes mortos. Atualmente a milícia jihadista é estimada em aproximadamente 9.000 pessoas.

O que eles querem?

A milícia Al-Shabaab reivindicaram as responsabilidades por um grande número de seus ataques terroristas desde sua origem em 2006. Mas agora, seu objetivo não é totalmente claro. 

Alguns especialistas especulam que o objetivo final do grupo é transformar a Somália em um Estado fundamentalista islâmico, com seu sistema político próprio, baseado no conjunto de leis islâmicas chamada “Xaria”. Segundo o islamismo, esse conjunto de leis são imutáveis, pois teria sido escrito por Maomé. De acordo com esse conjunto de leis, não haveria nenhuma possibilidade de se aprovarem leis diferentes, porque nenhuma lei escrita pelo ser humano pode contrariar a Xaria.

 

Mulheres somalianas organizadas pelo grupo Al-Shabab mostram armas, em Mogadísco, Somália, 2010. (ABDURASHID ABIKAR/AFP/GETTY IMAGES)

Em 2016 o ex-presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, disse que a Al-Shabaab controlava menos de 10% do território na Somália. Os especialistas comentam que após uma década do governo somaliano, e a União Africana e os EUA terem tentado combater a insurgência do grupo, ele foi enfraquecido. Porém, atualmente, após o último atentado, o al-Shabaab vem tentando reconquistar visibilidade e controle territorial.

A presença da facção aumentou a instabilidade na Somália. A população somali é grande protagonista do êxodo migratório à Europa, decorrentes da violência e da pobreza que assolam o país. Embora os Estados Unidos afirmarem seu reforço e apoio à Somália na luta contra a facção, o país é um dos que mais sofre com veto migratório estadunidense. 

 

Para ir mais longe em casa e na sala de aula  

E para você professor, se inteirar mais do assunto, temos aqui mais algumas sugestões bibliográficas, links de reportagens e vídeos que você pode estar acessando:

- Como a Somália se encaixa no mapa da geopolítica do terror (Nexo Jornal)

- Por que não somo todos Somália? (Justificando)

Entenda o caos da Somália, marcada pelo pior atentado do ano (Superinteressante)

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