Catalunha – A luta pelo separatismo

Entenda a história da região da Catalunha, seu movimento separatista e o que esta em jogo atualmente na Espanha.

Por Artur Boligian Neto

Publicado em 11/10/2017

Em quais conteúdos trabalhar?

Coleção Geografia Espaço e Vivência Volume 9: Unidade IV – “Europa desenvolvida e Rússia”, capitulo 11 – “População, política e cultura na Europa desenvolvida.

Coleção Geografia Espaço e identidade: Unidade 11 – Desigualdades, conflitos e tensões no mundo contemporâneo, capitulo 38 - Conflito– e tensões no mundo globalizado

 

Para entender a discussão

Recentemente uma das regiões mais ricas da Espanha, a Catalunha, vem buscando sua emancipação do país por meio de plebiscitos. Entretanto, a luta da comunidade catalã não começou no dia 1º de outubro deste ano de 2017, com a conturbada votação de um referendo pela sua independência da Espanha. Entenda os processos históricos da região e o que está em jogo no território espanhol.

Antes de adentrarmos na discussão da Catalunha, precisamos entender que há séculos, em várias partes do mundo, diversos povos lutam para conquistar a independência política e territorial do Estado ao qual estão subjugados. Esses movimentos separatistas tem em comum a certeza de que, com a independência, cada qual poderá recuperar a liberdade de expressar sua cultura, seus costumes e suas crenças.

Na Europa é comum a eclosão de movimentos separatistas, já que o continente reúne diversas populações de origem étnica minoritária que vivem sob o julgo de importantes Estados-nação. Esses é o caso, por exemplo, do catalães, na Espanha e dos bascos sob o julgo dos governos espanhol e francês.

Na maioria dos casos, os movimentos separatistas, geralmente organizados por grupos sociais minoritários, ainda são reprimidos com violência pelos governos dos países ondem atuam, os quais não aceitam ceder parte de seus territórios. Esse também é o caso da Espanha, onde os catalães buscam se emancipar do país criando seu próprio Estado independente.

Foto 1: Catalães protestando pela sua emancipação da Espanha (Reprodução/Internet)

A Catalunha é uma comunidade autônoma da Espanha, situada no nordeste da Península Ibérica, onde vivem cerca de 7,4 milhões de pessoas. A cidade de Barcelona é a mais populosa da comunidade catalã. A Catalunha também é a região mais rica da Espanha, com o PIB representando 19% do total do país (352 bilhões de dólares), o equivalente a duas vezes o PIB do estado do Rio de Janeiro (o segundo maior PIB estadual brasileiro). Além da importância econômica, a região é um dos principais pontos turísticos do território espanhol.

Foto 2: Vista da importante cidade de Barcelona (Créditos: Andressa Turcatel Alves Boligian)

Foto 3: Turistas do mundo todo visitam a região da Catalunha. (Créditos: Andressa Turcatel Alves Boligian)

Como uma das 17 províncias autônomas da Espanha, a Catalunha tem o seu próprio governo regional com poderes consideráveis em matéria de cuidados de saúde, educação e cobrança de impostos. A Catalunha também tem sua própria língua, o catalão, que também é falado em outras localidades, tanto na Espanha quanto na França. 

Mapa da Catalunha (Fonte: Revista Nexo)

Mapa representando a região da Catalunha na Espanha. Fonte: Nexo Jornal

A região catalã nunca foi uma nação independente, mas tem um Governo próprio, chamado de Generalitat. A Catalunha integrava o reino de Aragão, que ao unificar-se com o reino de Castela, deu origem ao nascimento da Espanha, em 1492.

No século XX, nos anos de 1930, a Catalunha havia conquistado relativa autonomia. Entretanto, sofreu um golpe militar com Francisco Franco, ditador espanhol (1936 – 1976) que tinha seu regime de governo alinhado ao fascismo. Durante os anos de sua ditadura, Franco reprimiu a região da Catalunha limitando sua autonomia, e tentando eliminar as expressões linguísticas e culturais catalãs.

Somente após a morte de Franco, em 1979, e com o consenso constitucional de 1978, a região recuperou parte de sua autonomia. Em 2006, o Estatuto da Autonomia foi aprovado pelo povo catalão por meio de um referendo, que definiu a comunidade autônoma como uma nação.

 

O que está em jogo?

A Catalunha realizou um referendo pela sua independência da Espanha no dia 1º de outubro de 2017, que teve comparecimento de 2 milhões de pessoas (43% do eleitorado), do quais, 90% afirmaram que desejam a separação do país e a formação de uma nova república.

O governo e o judiciário espanhol consideraram o referendo ilegal e exerceram pressão política através de repressão policial, tentando fechar os locais de votação. De acordo com a constituição espanhola (consenso constitucional de 1978), nenhuma comunidade autônoma pode submeter à votação ou à um referendo, questões relacionadas a soberania nacional.

De acordo com cientistas políticos, a forte crise econômica e política que o país vem passando, explicam o abraço ao separatismo de grande parte da população da Catalunha.

A economia está no centro dos debates do processo separatista da Catalunha. Tanto os soberanistas quanto os contrários a independência usam argumentos econômicos prós e contrários.

Foto 4: Parte do porto de Barcelona, um dos mais importantes da Espanha. (Créditos: Andressa Turcatel Alves Boligian)

O que está em jogo, por um lado, é o futuro de um território rico e estratégico para a Espanha, que abriga 16% da população e arrecada 19% (211 milhões de euros) do Produto Interno Bruto e é uma das cinco regiões mais industrializadas do país – representando 25% da taxa de exportação.

E por outro lado, o direito de autodeterminação dos povos, no caso os catalães, que reivindicam também sua soberania econômica e cultural, transformando sua região autônoma em uma república emancipada da Espanha com uma estrutura própria de Estado.

 

Para ir mais longe em casa e na sala de aula  

E para você professor, se inteirar mais do assunto, temos aqui mais algumas sugestões bibliográficas, links de reportagens e vídeos que você pode acessar:

- O que a Catalunha e a Espanha perdem em caso de separação (BBC Brasil) 

- O que é a Catalunha e o que querem os catalães (Nexo Jornal)

- O que move o separatismo da Catalunha (Nexo Jornal) 

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