“Era o hotel Cambrigde”

Filme relata o cotidiano de refugiados estrangeiros que buscaram abrigo em uma ocupação do movimento dos sem-teto num prédio no centro de São Paulo.

Por Artur Boligian Neto

Publicado em 15/08/2017

Por que assistir?

“Era o Hotel Cambridge” é um filme nacional lançado esse ano. Conta a história de um grupo de refugiados que acabam de chegar no Brasil e participam de uma ocupação de sem-teto, num edifício abandonado no centro de São Paulo.

O filme trata da atual e relevante temática sobre o drama dos refugiados e da crise habitacional que ocorre nas grandes metrópoles do país, como no caso da capital paulistana.

Os moradores que ocupam o edifício abandonado estão sob ordem de reintegração de posse. A trama se passa durante os 15 dias em que os moradores tem até se retirar do edifício.

Vale a pena assistir em sala de aula?

Sim. O filme tem aproximadamente uma hora e meia de duração, e é uma ótima opção para levar ao seus alunos do ensino médio.  

Ele nos convida a participar de um cotidiano tenso, conflituoso mas também marcado pela cooperação. Também ajuda a questionar representações imediatas e superficiais sobre os movimentos sociais.

O longa-metragem aborda a o tema da crise habitacional vivida nas grandes metrópoles, com um elevado número de propriedades em áreas urbanas que não cumprem sua função social, e do outro lado, um grande contingente de pessoas sem moradia.

Em uma assembleia para discutir a ameaça de despejo, um palestino que aparece no filme e mora na ocupação diz uma frase inusitada e realista: “eu sou um refugiado palestino no Brasil, vocês refugiados brasileiros no Brasil”.

“Era o Hotel Cambrigde”, também versa sobre a atual crise dos refugiados, como ocorre a integração de povos com diversas culturas que se encontram na mesma situação, a de não terem onde morar. Dentre os refugiados estão congoleses, palestinos, colombianos e libaneses.

As memórias que os expatriados têm de suas famílias e das condições em que viviam em seus países, também nos levam a compreender as condições que os fizeram abandonar seus lugares de origem.

Sobre o filme

O filme é resultado de uma criação coletiva da Frente de Luta por Moradia (FLM), do Grupo Refugiados e Imigrantes Sem Teto (GRIST) e da Escola da Cidade (FAU-USP).

A ocupação do “Hotel Cambrigde” de fato acontece. O filme foi gravado em uma antiga hospedagem de luxo, que foi ocupada no centro de São Paulo em 2012, e atualmente tem aproximadamente 175 famílias.

O prédio foi construído na década de 50, já tendo hospedado grandes artistas internacionais em suas 119 acomodações de luxo. O hotel fechou em 2002, e em 2004 faliu por conta de dividas e acabou abandonado. Com grandes dívidas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), e após uma batalha judicial, o prédio foi desapropriado pela prefeitura de São Paulo em 2010 para virar moradia popular.

A diretora do filme Eliane Caffé e o ator José Dumont voltaram a trabalhar juntos após 13 anos da realização do excelente filme “Narradores de Javé” (2003). Em uma entrevista, Eliane Caffé conta que seu processo de criação é orientado hoje em dia pela busca da “questão certa, a que melhor possa representar os conflitos humanos, perguntar pelo ser humano. (...) Sinto que, conforme eu vou envelhecendo, vou entendendo melhor o mundo e a brutalidade de suas relações”.

Trailer 

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Filme Completo

Clique aqui para acessar o link do filme completo

 

 

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