O planisfério do mundo de Paolo Forlani

Publicado em 25/03/2019

Paolo Forlani foi um artista e cartógrafo veneziano que criou muitos mapas significativos no período do Renascimento. Entre 1560 e 1570, Paolo produziu quatro planisférios, sendo considerado o mais decorativo e importante da sequência o seu mapa “Universale Descrittione Di Tutta la Terra Conosciuta Fin Qui” (Descrição Universal de Toda a Terra Conhecida Até Aqui), conhecido também como “Forlani 3”, criado em 1565.

Foi na Itália, particularmente em Veneza, que o comércio de mapas influenciou profundamente o curso da história cartográfica, sendo altamente desenvolvido durante a primeira metade do século XVI. Paolo Forlani pertenceu nesse período a “Escola Lafreri”, grupo de cartógrafos italianos de Veneza e Roma entre os anos de 1540 a cerca de 1580.

A cidade de Veneza possuía o porto mais ativo do mundo com expedições comerciais bem-sucedidas, por esse motivo necessitava de mapas precisos. Navios venezianos realizaram viagens comerciais regulares para o Levante e ao Mar Negro, para os portos de Espanha e Portugal, e também ao longo das costas de Europa Ocidental.

No século XV a cidade já se tornara uma centro mundial para informações geográficas, e o desenvolvimento da cartografia na cidade foi impulsionado pela produção de cartógrafos venezianos. Paolo Forlani foi uma figura muito proeminente do período, talvez o mais prolífico produtor de mapas em meados do século XVI, e em grande parte responsável pela difusão de informações geográficas avançadas para outras partes da Europa.

O destaque e a característica principal do seu mapa “Universale Descrittione Di Tutta la Terra Conosciuta Fin Qui” é o extenso continente sul não identificado – o hemisfério sul - considerado como uma “Terrae incognitae”, termo em latim utilizado na cartografia para assinalar as regiões nunca mapeadas ou documentadas.

Forlani representou a massa de terra do sul desconhecida com características topográficas imaginárias e fantasiosas ilustrando criaturas mágicas e legendárias. Nesse mapa existem monstros marinhos com cabeça de humanos, grifos, unicórnios, e até mesmo animais comuns como: camelo, elefante, leão e um rinoceronte.

Os viajantes do século XVI não puderam chegar perto de descobrir a Antártida. Eles a representaram de maneira tão grande porque ela possui uma enorme quantidade de icebergs no seu entorno, prejudicando sua exploração. A humanidade no período medieval desconhecia o que havia nesse lugar ainda inexplorado, então imaginavam o que poderia existir em determinadas regiões.

Para os cartógrafos do período medieval até a renascença esses monstros representavam perigos, pois queriam alertar os marinheiros e os viajantes sobre os riscos de desbravar partes de mundo ainda inexplorado.

Todas as criaturas dessa época são derivadas da literatura medieval e apresentam aspectos artísticos e decorativos que indicavam uma visão de mundo da época. Nos dias de hoje, esses monstros marinhos podem parecer frutos de uma fantasia, porém, aos olhos dos artistas e cartógrafos medievais, eles os desenhavam pois realmente acreditavam que eles existiam.

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