O documentário “Ser Tão Velho Cerrado”

Publicado em 19/02/2019

Por que assistir?

O documentário “Ser Tão Velho Cerrado” (2018) tem como temática central o impacto socioambiental no Cerrado brasileiro, o segundo maior bioma do país que vem sofrendo intensa devastação provocada pelas atividades de mineração, instalação de hidrelétricas e avanço do agronegócio.

O longa-metragem reúne entrevistas com os moradores da Chapada dos Veadeiros, geólogos, biólogos, agricultores, empresários do agronegócio e políticos, apresentando diferentes perspectivas sobre as formas de desenvolvimento da região. Um ponto importante para conflitar em sala de aula são os diferentes pontos de vista dos entrevistados.  

Ainda que apresente discursos diferentes, o documentário faz um apelo para o cuidado do Cerrado, bioma que se encontra fortemente ameaçado. O diretor do filme, André D’Elia chama a atenção: “As pessoas precisam valorizar mais o Cerrado e enxergá-lo além da aparência de vegetação seca. Isso dá a sensação de que ele é desprezível, sem importância. Mas ele é fundamental para a existência do ser humano na Terra. Sem ele, os outros biomas se descontrolam"

O Cerrado é uma matriz ambiental que se localiza nos chapadões centrais do Brasil, no qual abriga uma das maiores diversidades do mundo em fauna e flora. Ele é definido por especialistas como um “hot spot”: área rara do planeta considerada de extrema importância por ter espécies que só existem naquela localidade e estão sob alto grau de ameaça.

A existência do Cerrado é importante para o equilíbrio dos biomas que o circundam. Ele é considerado o “berço das águas” do Brasil, pois é onde nasce a maior parte dos grandes mananciais do país, sendo responsável pela vazão de 75% das principais bacias hidrográficas brasileiras.

Além disso, essas águas alimentam o pantanal e mais 3 grandes aquíferos subterrâneos: o Babuí, o Urucuia e o Guarani.

O documentário também conta a história diferentes modos de vida, como do Quilombo Kalunga, sitio histórico e patrimônio cultural. Maior território quilombola do mundo demarcado com 272 mil hectares. São descendentes de escravos fugidos e libertos das minas de ouro do Brasil central que formaram comunidades autossuficientes e que viveram mais de duzentos anos isolados em regiões remotas próximas à Chapada dos Veadeiros, no atual estado de Goiás.

O quilombo junto com pequenos produtores rurais estão sendo prejudicados pela expansão da fronteira agrícola. Famílias que dependem da agricultura camponesa com utilização de sementes crioulas estão tendo seu cultivo e modo de vida afetados.

Vale a pena assistir em sala de aula?

Ele está disponível no Netflix e tem a duração de 1 hora e 36 minutos. Pode ser apresentado de maneira interdisciplinar entre geografia, biologia e sociologia contextualizando as transformações biogeográficas, econômicas e sociais na região do Cerrado. Recomendamos exibir para alunos do ensino médio.

Voltar
>